Avançar para o conteúdo principal

Pensamentos Avulsos VII


Viver-se em permanente civilização não pode ser normal. - Tenho provas disto e apresentar-las-ei se me forem pedidas. - É que somos todos tão selvagens, brutos mesmo, alguns até grotescos, por baixo da capa da civilização. Somos mesmo. Investiguem a ciência da paleoantropologia e entenderão o barbarismo do ser humano. Não falo teológicamente, não vi o 'Diabo' em ninguém. Vi sim o desprendimento, a impunidade dos assaltantes. A iminente falha sistémica da empatia. Um dia escreverei mais sobre isto. Não hoje. Hoje sinto-me marcado pelos opressores involuntários. E há tantos desses. Nascem mil a cada minuto de cada hora de cada dia. Batem nos mais fracos, nos que acreditam poder vir a ser melhores do que são, nos sonhadores. Espancam-nos impiedosamente e crescem os malditos, crescem exponencialmente. Chegará o dia em que não teremos mais inventores ou artistas. Toda a criatividade ficará submetida aos violentos pragmáticos, aos conquistadores deste novo mundo imediato que só quer ser rápido e racional, não espera pelos visionários. Não! Um dia morreremos incompletos e ninguém se lembrará que tentámos sequer existir. É este o caminho actual. O estado do Mundo. Estarão todos demasiado aterrorizados para o serem, e assim se cumpre o papel dos 'bullies', agentes do 'Governo Sombra' que afectam o futuro da civilização. Se o futuro for uma espécie de distopia, será violento e obscuro como uma batalha inglória.
Em essência é exactamente isso que somos; selvagens!
E, mais tarde ou mais cedo, partiremos o bem construído verniz porque estamos formatados para assim sermos. Uns abusadores das minorias. Uns nazis. E esta última palavra explica tudo. Morri debaixo de uma saraivada de nacionalismo-literário neo. Um dia, talvez, alguém venha a repescar aquilo que escrevi. Hoje, somente encontro muros e facas longas. Estou morto para as palavras que quero escrever. É o que penso, mas não receio de o dizer.

Mensagens populares deste blogue

As Crónicas do Senhor Barbosa III

O Senhor Barbosa acredita que já nada o pode magoar. Nem o desprezo passado, presente ou futuro, nem o cão esgalgado da vizinha, de dentes longos, nem a hesitação insípida do amor mais ou menos alvoroçado, nem a morte, nem nada. Nada mais lhe poderá acontecer de tragédia inventada. Já outros a inventaram por si. Olha para os reflexos e sabe que isto é de uma tal arrogância que até lhe faz doer os dentes postiços. Ri-se e prossegue a acreditar na sua recém-criada fortaleza inexpugnável. Mas, o Senhor Barbosa não fecha os olhos debalde, e sabe que, em tempos difíceis, às vezes é preciso morder a laranja para a poder descascar. Nada significa o que quer que seja até ao dia seguinte, altura em que voltamos a fazer contas à vida. É quando o riso cessa. Sabe isto e mesmo assim ri. Porque não? Está tão bêbado que outra coisa não lhe ocorreria fazer. O que é difícil é ultrapassar a espera pelo dia seguinte. Ali estava outra vez o ruído. Aquele ruído frio, cortante, vertical, que tão bem conheci…

Constante de Planck

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.