Avançar para o conteúdo principal

Deixa-te estar à Luz.


Meio adormecido por fortes drogas (legais?) que lutam contra a traição de uma gripe que insiste em não ligar à minha predileção pelo frio, e ataca e ataca-me em vagas sucessivas, fugi ao tabaco e meti-me a fundo por dentro do álcool e dos analgésicos, cheio de armaduras antipiréticas, descongestionantes nasais, anti-histamínicas, uma horda de absurdos químicos em forma de exército defensor que não derrota nada. Antes que desse por isso, entrei neste reino de poesia bela e surreal a cambalear de arrepios. A gripe é uma luz regular que nos foge do corpo, um calor normal que esmorece. Não pode. Não deixo. Hei-de vencê-la nem que seja por pura irritação.


Mensagens populares deste blogue

As Crónicas do Senhor Barbosa III

O Senhor Barbosa acredita que já nada o pode magoar. Nem o desprezo passado, presente ou futuro, nem o cão esgalgado da vizinha, de dentes longos, nem a hesitação insípida do amor mais ou menos alvoroçado, nem a morte, nem nada. Nada mais lhe poderá acontecer de tragédia inventada. Já outros a inventaram por si. Olha para os reflexos e sabe que isto é de uma tal arrogância que até lhe faz doer os dentes postiços. Ri-se e prossegue a acreditar na sua recém-criada fortaleza inexpugnável. Mas, o Senhor Barbosa não fecha os olhos debalde, e sabe que, em tempos difíceis, às vezes é preciso morder a laranja para a poder descascar. Nada significa o que quer que seja até ao dia seguinte, altura em que voltamos a fazer contas à vida. É quando o riso cessa. Sabe isto e mesmo assim ri. Porque não? Está tão bêbado que outra coisa não lhe ocorreria fazer. O que é difícil é ultrapassar a espera pelo dia seguinte. Ali estava outra vez o ruído. Aquele ruído frio, cortante, vertical, que tão bem conheci…

Constante de Planck

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.