Avançar para o conteúdo principal

Saudade de ver bons Filmes (XI)


...que só estreiam amanhã, mas que, graças ao 'milagre' da internet já vi e recomendo muito.



É quase impossível ver este filme e não nos perdermos na trilogia "Antes do Amanhecer" (Richard Linklater), que claramente influenciou Klinger, no estilo verborreico e romântico, ainda que tenha abdicado do mais comum e previsível final feliz.
Saem Jesse e Celine, entram Jake e Mati. Saem Julie Delpy e Ethan Hawke, entram Lucie Lucas e Anton Yelchin (um actor que faleceu cedo demais, em Julho passado e que presta neste filme, o papel da sua curta vida.) Sai Viena, entra o Porto.
Com produção do maravilhoso Jim Jarmusch, Klinger opta por não contar apenas a história do primeiro encontro do casal, mas todo o seu relacionamento, desde o encantamento ao desgaste. Através da competente montagem de Géraldine Mangenot e do próprio Gabe, o filme vai jogando com as emoções do espectador, ao embaralhar a história do casal. 
É difícil não olhar para Yelchin com uma certa melancolia, ainda mais em um papel tão denso,  um personagem tão complexo. Vive a pele de um homem sem grande rumo na vida, perdido num país estranho e que, numa noite, parece encontrar a pessoa perfeita para si. Lucie é essa pessoa. 
Porto é assim um drama romântico. E seria apenas mais um drama romântico entre tantos que se produzem sem grande impacto, se não oferecesse ao espectador uma conclusão de fantasia. E, por nos fazer sonhar, torna-se um filme que, mesmo não sendo excelente, merece destaque mesmo assim. 

Mensagens populares deste blogue

Jorge Machado

Ninguém nunca sabe ao que vem, viver é um ensaio. Dão-nos o que fazer e coisas para que acreditemos e depois ficamos à solta. Dão-nos o nós e a vida de barro, mas há quem faça o que bem entende gostar de fazer. E até há quem o faça muito bem. Ninguém nos explica direito, em pequenos, que as coisas mudam e partem e ausentam-se, e que antes de aqui chegarmos, já o seríamos, mas que tudo se cria e que tudo se nos pode escapar. Carecemos de um olho arguto e atento para captar o que mais conta, até à eternidade. Eu, por boa sorte, tenho um amigo, que por sorte também é o meu melhor amigo, que entende muito bem que há tempos de equívocos, de medo e de combate. Que o mundo, de tão duro e belo até ao fim é mais colectivo se for partilhado em imagens, que nos deixem estarrecidos. O Jó sabe disso de querermos ser felizes, nisso somos mais que irmãos.  E desde catraios entendi nele, o seu lugar exacto. O seu carácter metódico, rigoroso é a pedra de toque da sua vida e da sua paixão, a fotografia. …

Peido, logo existo!

Hoje, o Homem exalta-se a si mesmo constantemente.

Confesso que nunca me pensei como um moralista de bastidor, daqueles provedores de sofá que despejam dislates em frente ao televisor, e depois, insatisfeitos, rumam às redes sociais a mostrar ao mundo como a cabeça lhes chegou aos dedos. Ontem apercebi-me que sou. É uma idiossincrasia quetalvez me tenha chegado com a idade. Certas noções de certo e errado começam finalmente a assentar cá dentro.  Todos sabemos sobre o terrível incêndio, sobre as vítimas, a indefinição de culpabilidade, os deslizes da, por vezes, muito pobre comunicação social que os acompanhou. Todos já sabemos tudo sobre isto, demasiado quiçá. Por altura destes tempos imediatos, nem o mero escapar de um gás de algum mosquito se livra do escrutínio continuado e multi-interpretado. É assim que são as coisas agora. Muito úteis a espaços, em momentos e situações que de outro modo passariam despercebidas da maioria, como revoluções, catástrofes, violações dos direitos hu…

...onde o vento sopra mais forte

O meu caríssimo amigo Rui T, em actuação ao vivo no Teatro Municipal de Vila do Conde, com o novo tema, entretanto já gravado: "Corre", baseado no meu livro com o mesmo título. O Humberto sorri algures.

Podem saber um pouco mais sobre o Rui e o seu trabalho, aqui.