Avançar para o conteúdo principal

Jorge Machado


Jorge Machado
Ninguém nunca sabe ao que vem, viver é um ensaio. Dão-nos o que fazer e coisas para que acreditemos e depois ficamos à solta. Dão-nos o nós e a vida de barro, mas há quem faça o que bem entende gostar de fazer. E até há quem o faça muito bem.
Ninguém nos explica direito, em pequenos, que as coisas mudam e partem e ausentam-se, e que antes de aqui chegarmos, já o seríamos, mas que tudo se cria e que tudo se nos pode escapar. Carecemos de um olho arguto e atento para captar o que mais conta, até à eternidade. Eu, por boa sorte, tenho um amigo, que por sorte também é o meu melhor amigo, que entende muito bem que há tempos de equívocos, de medo e de combate. Que o mundo, de tão duro e belo até ao fim é mais colectivo se for partilhado em imagens, que nos deixem estarrecidos. O Jó sabe disso de querermos ser felizes, nisso somos mais que irmãos. 
E desde catraios entendi nele, o seu lugar exacto. O seu carácter metódico, rigoroso é a pedra de toque da sua vida e da sua paixão, a fotografia. Mas não se pense que esse gosto do rigor e do método o leva a cercear a liberdade de criação, o golpe de asa inventivo. Nada disso. O que caracteriza o seu trabalho em fotografia é justamente o equilíbrio entre a investigação e a originalidade dos enfoques. O compromisso com uma visão pessoalíssima dos objectos que trata. 
E ensinou-me muito a ser pessoa melhor por contacto de apego e empatia. Retribuo-lhe assim, pequenino, porque a favor da validação dos que já são pouco há que divulgar. O que é preciso é que os amigos o sejam e encontrem em si a vontade de deitar ao mundo os pequenos deslumbres daqueles que precisam e lhes são mais próximos. O mundo precisa de se abrir mais, de sair dos contornos regulares. Adoro-te a ti e ao que fazes tão bem. Por isso, e como hoje é o dia internacional da fotografia, só posso mais dizer que o brado da vida nunca se canse do nosso lado.

Em baixo, alguns exemplos da sua maravilhosa objectiva. Aqui, os links para as suas páginas de facebook e instagram. Para apreciação de todos e para que o divulguem também. O Jó faz variadíssimos trabalhos fotográficos de: concertos, exposições, apresentações de livros (a primeira foto sou eu mesmo), baptizados, comunhões, casamentos, campanhas eleitorais, sexo ao vivo e tudo mais que se consigam lembrar, ele eterniza com excelência. Não deixem de o descobrir.





Comentários

Mensagens populares deste blogue

A queda de um anjo triste.

Desafogados brilhos desta existência, quis olhar em frente, e vi somente escuro. Escuro, escória, lixo, lama e penetrante breu. Quis seguir em frente e não mo permitiram. Quis marcar presença, caí, e fui banido. Quis viver, e fui marcado a fogo com o rótulo do nada. Malditas palavras que me acendem esta vivência, pudera eu ser livre, e não viver por trás deste muro. Ser vento, ou poeira, e correr solto pelo esplendor deste céu. Malditas palavras que de mim emergiram, ainda mal as proferia, e já as via, abafadas em seu ruído, como se fossem pássaros, abatidos em revoada. Como eu mesmo, abatido assim, em tenra idade. Mas sosseguem, pois sou coisa irritante que insiste em não morrer. Malogrado pela estupidez do desprezo, sou, ainda assim, Homem! Homem! Homem... Estou vivo, e não desabo. Desafogado percurso que ainda mal começa, não verás teu fim nesta desdita amordaçada. Quis dizer o que quis, e não me faltou a vontade. Mais fáci...

...Poderia ser maior! Poderia ser um escritor, em vez deste blogue vagabundo que... foda-se!

  "On The Waterfront" 1954 - Elia Kazan

O Artista que faz falta Conhecer

Um dia desenhei um rectângulo largo em uma folha de papel-cavalinho, não foi salto nenhum, pois em anos antigos, já me tinha lançado a fazer rabiscos aqui e ali. Em pastel sobretudo, e uma vez cheguei ao acrílico, mas aquilo eram vãs tentativas sem finesse alguma. As artes plásticas são um mistério ainda, e uma das minhas grandes decepções como ser humano criador. Essa e a música. Creio até que terei começado a escrever por me faltar jeito para o desenho e para os instrumentos de sopro. Assim que voltemos ao meu rectângulo. Esquissei-o de vários ângulos e adicionei-lhes cornijas e janelas. Alguns sombreados. Linhas rectas e perspectiva autónoma, cor e até algum peso acumulado. Longe do real mas muito aproximado deste. Quando dei por mim tinha o Mosteiro (Stª. Clara) desenhado, em traços grosseiros e pôs-me feliz ter chegado ali, até me dar conta que cometera plágio. O meu subconsciente foi buscar o trabalho do Filipe Laranjeira ao banco da memória, e sem me pedir licença, copiou...