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Onde acabar o azul resto-me.




Dos corpos mais dolorosos, o que mais sofre é o engano.
Vai sendo roído aos poucos por atrozes rumores.
Ainda pensei passar a perna à visão periférica
e cegar de propósito, ainda que parcialmente,
num divertido jogo clandestino de xadrez.
Tudo isto é uma grande tolice!
Pois é sabido que a melhor nódoa desfalece sempre no pior pano.
Aproximam-se agora, perigosamente, os tocadores 
de bombos, pandeiretas e caixas violadas na mais perfeita métrica.
O circo é, das artes, aquela que menos nos mente.
Observa-o sério, abre bem os olhos interiores. Estás a ver agora, tu vês?
Bem sei que não o farás, mesmo que to pedisse.
Porém, o teu maior erro foi esse teu desplante descarado.
Sabes quem sou ou julgas sozinho de olhos fechados?
Sou de folha perene, pese embora o vento,
e nada falo que seja aos pares ou que acabe em flor.
Fica aqui o mistério desvendado,
desta estranha fixação em te seguir.
Nunca quis começar o que por ti foi acabado,
mas tão somente avançar para dias longe dos dias mais desesperados.
Se não passou de um sonho feroz ou de um mais suave intento,
não sei. Que sei eu sobre o que nos engana o amor?
Fechei a ideia do meu futuro transformado
e tu, tu só o soubeste destruir.


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