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Que tal mordermos a bala?



Quando uma teoria se revela falsa, cai em desuso e já não interessa a ninguém, ganhamos uma compreensão e inteligência de nós próprios e dos outros através do conhecimento observado. A filosofia vigente e a salvação da mente humana, no convencimento geral de como pensamos, mantém-se em estado de problema convencido, mas não resolvido. Somos demasiado estúpidos para atingir uma compreensão inteira do "fim da nossa existência". Somos covardes, e nesse caso, lidar com este problema, parece-nos tão inútil, que reviramos os olhos, e ignorámo-lo.
Ora é precisamente isto que, a dado momento da nossa vida, nos atormenta tanto por nos considerarmos finitos, e termos tão presente aquela ideia da irreversibilidade da morte, que chega a ser a única consciência das nossas curtas vidas. Vivemos mal porque vivemos sabendo que um dia morreremos. O que nos parece irreparável não é nada inútil, de todo. Nenhum tempo está já todo contado, todo escrito. A ideia da irreversibilidade é quase tão caduca e dogmaticamente redutora, que nos induz quase forçosamente à devoção místico-religiosa. Como nos sentimos inúteis, de tão insignificantemente pequenos, reduzimo-nos à escravatura dogmática a um ser maior, que não nos satisfaz, mas resulta-nos em satisfação, face à ignorância que nos assola.
Com efeito, como operam as religiões face à ameaça suprema do nosso mais absoluto medo? A morte. - Assim mesmo. Em perpétuo controle das nossas vontades únicas, entregues de mão beijada ao escrutínio misterioso da nossa não-decisão. O nosso estoicismo vai tão longe ao ponto de procurarmos a salvação do nosso medo mais profundo, numa exacta emancipação nula do nosso pensamento mais racional.
Em derradeira análise, a nossa liberdade total, reside na forma muito diferente de abordar o desafio da própria salvação curta de existência neste plano. Responder à vontade primordial de vencer os medos provocados pela finitude, ignorar as panaceias de placebo da filosofia caduca, da intromissão religiosa transversal, e, ganhar o hábito das questões incómodas. Da verificação constante, e por nós próprios, daquilo que nos é dito e daquilo que nos faz ser englobado num todo irracional. A verdade final pressume que nenhum de nós é original, mas todos somos únicos.Todos.
Vamos ser diferentes de vez em quando, a ver onde chegaremos com isto. Que tal?

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