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Entrevista exclusiva com Deus


Não sei porque me ponho a escrever sem ter assunto. É a pior ideia do mundo! - Suponho que é a "síndrome da página em branco", irrita-me o desperdicío da claridade no ecrã. 
Queria tanto poder deixar uma página em branco. Uma vida em branco. Mas, a cada passo, a cada linha, só deixo feridas e rabiscos, sinais de crimes delicados. Também isto me irrita, muito.
Aproxima-se a temporada dos novos-livros, a reentrada, e já sei como é, vou ficar por contar uma vez mais... ontem sentei-me à mesa, sozinho (ainda), mas já posto no máximo ponto da minha saúde mental. Pudera, ando a reler todos os e-mails que recebi como resposta das editoras: "Não sabemos ainda, Casimiro... não podemos ainda..." são as respostas que recebo, quando eu perguntei apenas sobre a possível configuração desse mistério de publicar um livro. 
Já sou um menino grande, e caso as coisas não corram como gostaria muito que corressem, também não é caso para andar por aqui a choramingar ou acabar rapando o cabelo todo, num rápido acesso de loucura. É que a cabeça aquece-me imenso, e no fim de contas, vim a saber que Deus nem tinha tempo livre para uma entrevista.


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