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Tão pequeno que é amor.

Somos partes pequenas e iguais, vivemos engrenados enquanto servimos o maior dos mistérios, até que se esqueçam de nós ou que este nos falte. Aí, então, fazemo-nos de grandes, insuflados gigantes rídiculos de passos largos, sem rumo. Porque deixámos de ter um sítio seguro onde funcionar.
Foram esses os inventores do amor, sim, esses! Os enormes vazios que erram agora sem destino. Perdidos. Criáram-no um dia, no dia em que se fartaram de ser pequenos e sem importância. Depois, tudo se tornou mais difícil. Perderam-se pelas cidades em magotes de gente cheia dos mesmos iguais anseios. Impossível de se vislumbrar de tão vasta altura. Enormes peças imperfeitas de gente.
É que não se pode amar sem perder o medo desta mecânica. Corpos juntos, insignificantes, mas eternos. Sem escolhermos a coragem da geometria. Ruas que cruzam ruas, esquinas que dobram vidas, jardins onde os nossos corpos passeiam e se escondem, embaixo dos verdes tectos onde o amor cresce e se alimenta de noite, sem nunca ser visto.
Igualmente importantes são as árvores pela cidade, como também são os candeeiros de rua, e a cor dos contentores, a inclinação das vielas e os desenhos losangonais na calçada. Tão iguais como a brevidade de um beijo ou o entrelaçar de um par de mãos. Somos a carne e o pó soprado pelo vento, a ínfima centelha que deixámos crescer enquanto nos fizer sentir pequenos, irreconhecíveis, anónimos, felizes.
Somos tantos que só assim pareceremos maiores que os gigantes criadores que desbarataram o amor pelo receio de não serem vistos. E pode muito bem amar-se só por estarmos aqui. Por nos sabermos aqui. Invisíveis. Mais não será preciso inventar-se.

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