Puxou a colcha mais os lençóis para a frente, levantou-se e acendeu a luz pálida do candeeiro da mesinha. Três palmos ao seu lado, o Senhor Barbosa sonhava com galáxias. Havia-as visto no Sábado no cinema. A temperatura caíra lesta durante a noite e ele apertava-se na colcha almofadada como um filho no colo de uma mãe. O filme continuava-lhe no sonho.
- Tenho de ir trabalhar - murmurou Madalena, e ele retomou a posição inicial de barriga para cima. Mas logo acordou. O dia chegara com as suas vozes de mistério, embrulhadas no mesmo silêncio de sempre, mas agora havia algo diferente a secar-lhe o bafo do sonho.
A janela que se abria para a praça saltava divisões, e no quarto havia uma dupla cortina a bloquear a entrada da luz da manhã. Na mesa-de-cabeceira do seu lado havia um rádio-despertador cujo chinfrim incomodativo só seria devido daí a mais uns quinze minutos. Ulisses Barbosa carregou em um botão, detendo-o e sentou-se na cama a dar pancadinhas no queixo, como se tentasse decidi…

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