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Cancioneiro da antiga Puta


A violência sem limites contra mim, 
contra a minha inocente boa-fé, 
impiedosa ante a limpidez do meu olhar 
é tão brutal, injusta e sem razão.
Que de rodilhas me ponho, me baixo sobre o  teu pé,
e me alimento de migalhas
a implorar, implorar, ó poderoso, não pelo teu pão, não
nunca, que este corpo não se alimenta assim,
da pressa imunda de quem só sabe recusar.

Oscilo pelo acaso desunhado de importância.
Logo eu, tão cheio de mãos desfeitas de outros partilhar, 
a ti faço clamor pela luz que usas para ver
alimenta-me, desses teus olhos vadios que de mim se evadem
sem vergonha ou receio faço desta, minha demência.
Cortejo os gigantes por restos de coisas de sonhar
e me alimento de migalhas
a ver quem para e me vê inteiro, sem ser a correr
a pedir esmolas de tempos antes que estes que vos acabem.

Tomara que houvessem outras Estações
em todos os anos que desperdicei
Vi Invernos e Invernos de constantes perdições
e em nenhuma Primavera me concretizei.

"Cancioneiro da Antiga Puta"
Miro Teixeira
2017

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