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Primeiro poema ligeiramente sacrílego


De todas as criaturas da criação, 
Lúcifer foi o mais bonito, o mais inteligente, 
quiçá mesmo o mais amado.
Soube agir e ainda que todos saibam que ele mente
teve a bravura de ser o primeiro
a cair indómito, de peito feito contestou,
Deus.

Filho da puta de anjo corajoso, contestar Deus!

O Omnisciente, o Alfa, o Omnipotente Ser.
Porra,
o raio do velho É Ómega e Omnipresente.
Que mais quereis?
É tão divino entre os seus.
Mesmo assim, entre este ir e vir
atirou duas cobaias para um jardim, 
e pôs-se ausente, o cabrão.
Só a ver, só a ver...

E eu peço a Deus que me veja a cair
a mim.
Mas não há Deus algum aqui por perto.
Não!
É tudo só um diabo de um ciclo infinito de seis
dias infernais inteiros e um de descanso.
Ainda que ame Lúcifer pela coragem
continuo indeciso sobre onde hei-de ir.

Maravilhosa imagem que inspirou Dante
à grande comédia.
Não encontro Deus e heis
que me ponho ponderado e manso
a esperar o fim a porvir.
É tudo tão certo
ficar à margem 
até à consumação da tragédia.

Filho da puta do Lúcifer que não quis obedecer!

Isto sim, é um anjo que merece adoração.
Deus fica só a ver até que tudo se acabe.
é preguiçoso e egoísta.
Nada disto merece duas mãos e uma reza.
Um dia cairei também e será por mera provocação.
É que assim mais não quero ser.
Cairei sim, em profunda beleza
longe da vista
tão perto do meu próprio coração.



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