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Os magníficos Cépticos


Há que se adorar os cépticos, esses personagens comuns desta comédia humana que todos conhecemos. Sempre atormentados, cheios de raiva, alguns até levados ao histerismo descontrolado, da sua própria linha dura, podem se tornar irascíveis em breves instâncias, mas, vistos à luz de um quotidiano anormal que não conseguem controlar, no fundo são abnóxios ao que os rodeia, fabulosos indivíduos inofensivos, que apenas gostam de falar muito e de usar muitos adjectivos naquilo que dizem. Não fazem mal a ninguém. Acabam todos num esquecimento inevitável, obcecados com um futuro que não creem, e só se atrevem a imaginar.
Perturbadores e até hilariantes, por vezes, eles são incapazes de conter os seus próprios desejos falhados, explodem no verbo da sua crise constante, irrealizada, desconcertada pela falta de crença em tudo, até neles mesmos. Vêem doença, podridão e crise por todo o lado, em explosivos ambientes de constantes conspirações. O que é muito chato. Acontece que, se não existissem, acabaria a discussão pertinente de tudo. Sem haver quem ponha em causa, não existe causa, só anuência cega. Sim, os cépticos, é preciso estimá-los muito.


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Jorge Machado

Ninguém nunca sabe ao que vem, viver é um ensaio. Dão-nos o que fazer e coisas para que acreditemos e depois ficamos à solta. Dão-nos o nós e a vida de barro, mas há quem faça o que bem entende gostar de fazer. E até há quem o faça muito bem. Ninguém nos explica direito, em pequenos, que as coisas mudam e partem e ausentam-se, e que antes de aqui chegarmos, já o seríamos, mas que tudo se cria e que tudo se nos pode escapar. Carecemos de um olho arguto e atento para captar o que mais conta, até à eternidade. Eu, por boa sorte, tenho um amigo, que por sorte também é o meu melhor amigo, que entende muito bem que há tempos de equívocos, de medo e de combate. Que o mundo, de tão duro e belo até ao fim é mais colectivo se for partilhado em imagens, que nos deixem estarrecidos. O Jó sabe disso de querermos ser felizes, nisso somos mais que irmãos.  E desde catraios entendi nele, o seu lugar exacto. O seu carácter metódico, rigoroso é a pedra de toque da sua vida e da sua paixão, a fotografia. …

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