Avançar para o conteúdo principal

Verdade, verdadinha.

(...) este fenómeno literário que, com o advento das redes sociais explodiu, é um negócio fácil e de mão cheia. Não é preciso saber nada! É preciso ter uma banca e um computador. Até pode ser na banca da cozinha. E são escritores, resmas de escritores; poetas, resmas de poetas e editores, resmas de editores para dar vazão a tanta produção. São antologias, são colectâneas, são livrinhos, são mentiras e enganos, são cursos de escrita criativa, e tudo isto em negócio florescente e em franco progresso. E depois, estes artistas das letras, às tantas percebem que é tudo um logro! Os que querem perceber, porque há muita gente que vive numa ilusão consentida. E têm de fazer pela vida! À falta de melhor, aplaudem-se uns aos outros, fazem de escritores, de editores, de poetas, de críticos, de vendedores, eles são tudo ao mesmo tempo! Um verdadeiro submundo! Faz-me lembrar as cidades subterrâneas cujos habitantes nunca vêem a luz do dia. (...)

Cristina Carvalho (lido à pouco num comentário seu escrito no facebook)

Mensagens populares deste blogue

Jorge Machado

Ninguém nunca sabe ao que vem, viver é um ensaio. Dão-nos o que fazer e coisas para que acreditemos e depois ficamos à solta. Dão-nos o nós e a vida de barro, mas há quem faça o que bem entende gostar de fazer. E até há quem o faça muito bem. Ninguém nos explica direito, em pequenos, que as coisas mudam e partem e ausentam-se, e que antes de aqui chegarmos, já o seríamos, mas que tudo se cria e que tudo se nos pode escapar. Carecemos de um olho arguto e atento para captar o que mais conta, até à eternidade. Eu, por boa sorte, tenho um amigo, que por sorte também é o meu melhor amigo, que entende muito bem que há tempos de equívocos, de medo e de combate. Que o mundo, de tão duro e belo até ao fim é mais colectivo se for partilhado em imagens, que nos deixem estarrecidos. O Jó sabe disso de querermos ser felizes, nisso somos mais que irmãos.  E desde catraios entendi nele, o seu lugar exacto. O seu carácter metódico, rigoroso é a pedra de toque da sua vida e da sua paixão, a fotografia. …

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.

Peido, logo existo!

Hoje, o Homem exalta-se a si mesmo constantemente.

Confesso que nunca me pensei como um moralista de bastidor, daqueles provedores de sofá que despejam dislates em frente ao televisor, e depois, insatisfeitos, rumam às redes sociais a mostrar ao mundo como a cabeça lhes chegou aos dedos. Ontem apercebi-me que sou. É uma idiossincrasia quetalvez me tenha chegado com a idade. Certas noções de certo e errado começam finalmente a assentar cá dentro.  Todos sabemos sobre o terrível incêndio, sobre as vítimas, a indefinição de culpabilidade, os deslizes da, por vezes, muito pobre comunicação social que os acompanhou. Todos já sabemos tudo sobre isto, demasiado quiçá. Por altura destes tempos imediatos, nem o mero escapar de um gás de algum mosquito se livra do escrutínio continuado e multi-interpretado. É assim que são as coisas agora. Muito úteis a espaços, em momentos e situações que de outro modo passariam despercebidas da maioria, como revoluções, catástrofes, violações dos direitos hu…