Avançar para o conteúdo principal

Isto é um circo senhores!

Parecemos todos convictos de que o desequilíbrio do mundo tem muito a ver com o nosso próprio desequilíbrio. Não senhor! Isto é uma treta muito grande. O mundo está tão equilibrado como sempre esteve. Divisões bem esclarecidas, todos nos seus devidos estratos e um manancial de pobres a nascer todos os dias para engrossarem as devidas fileiras dos rejeitados. Está tudo aberto à grande bicharada. E não é isso mesmo? Somos todos uns bichos quaisquer, que devem a sua miserável existência à tirania de homens que, preguiçosos e incompetentes, usufruem do nosso trabalho, somos vítimas de uma exploração prepotente, e assim vivemos, cabisbaixos e castrados de vontades. E neste sentido, ninguém leva tão longe o desprezo pelo corpo como o intelectual de hoje, reflectindo-se a sua própria decadência física em quase tudo aquilo que produz, e por consequência, no pensamento moderno.  Salvo rarissímas excepções, continuámos a ser meras bestas de carga, sem grande ideias.
Escrevo isto sem grande vontade de querer vir a ser perdoado por seja quem for. Como carrego espuma nas veias, posso assim falar do mar cheio de certezas. posso derrubar os muros que mal nos resguardam, até só restarem sombras curvas de nós, remetendo-nos à eternidade dos sem voz.
Com um raio! Eu penso e tenho as minhas ideias, ainda que alguém grite numa floresta vazia, o som propraga-se na mesma, mesmo que ninguém o ouça. Portanto, está aqui. Entendam se quiserem, marimbem-se, se puderem.

Mensagens populares deste blogue

Jorge Machado

Ninguém nunca sabe ao que vem, viver é um ensaio. Dão-nos o que fazer e coisas para que acreditemos e depois ficamos à solta. Dão-nos o nós e a vida de barro, mas há quem faça o que bem entende gostar de fazer. E até há quem o faça muito bem. Ninguém nos explica direito, em pequenos, que as coisas mudam e partem e ausentam-se, e que antes de aqui chegarmos, já o seríamos, mas que tudo se cria e que tudo se nos pode escapar. Carecemos de um olho arguto e atento para captar o que mais conta, até à eternidade. Eu, por boa sorte, tenho um amigo, que por sorte também é o meu melhor amigo, que entende muito bem que há tempos de equívocos, de medo e de combate. Que o mundo, de tão duro e belo até ao fim é mais colectivo se for partilhado em imagens, que nos deixem estarrecidos. O Jó sabe disso de querermos ser felizes, nisso somos mais que irmãos.  E desde catraios entendi nele, o seu lugar exacto. O seu carácter metódico, rigoroso é a pedra de toque da sua vida e da sua paixão, a fotografia. …

Dia sim, dia não, uma beleza antiga.

Peido, logo existo!

Hoje, o Homem exalta-se a si mesmo constantemente.

Confesso que nunca me pensei como um moralista de bastidor, daqueles provedores de sofá que despejam dislates em frente ao televisor, e depois, insatisfeitos, rumam às redes sociais a mostrar ao mundo como a cabeça lhes chegou aos dedos. Ontem apercebi-me que sou. É uma idiossincrasia quetalvez me tenha chegado com a idade. Certas noções de certo e errado começam finalmente a assentar cá dentro.  Todos sabemos sobre o terrível incêndio, sobre as vítimas, a indefinição de culpabilidade, os deslizes da, por vezes, muito pobre comunicação social que os acompanhou. Todos já sabemos tudo sobre isto, demasiado quiçá. Por altura destes tempos imediatos, nem o mero escapar de um gás de algum mosquito se livra do escrutínio continuado e multi-interpretado. É assim que são as coisas agora. Muito úteis a espaços, em momentos e situações que de outro modo passariam despercebidas da maioria, como revoluções, catástrofes, violações dos direitos hu…